
Olá! Sou Rogério Sáber, professor de literaturas de língua inglesa e alguém que nunca conseguiu separar completamente a vida acadêmica da imaginação — e, sinceramente, nem pretende. Transito com naturalidade entre o gótico, os delírios densos de Faulkner e os agudos quase etéreos de Kate Bush, nem sempre nessa ordem, mas sempre com uma boa dose de ficção para sustentar minhas aulas e uma trilha sonora à altura para atravessar pilhas de provas.
Sobre este projeto
Este texto inaugura uma nova frente editorial aqui no CineOrna: a coluna “Intersecções: entre letras e imagens”, fruto de uma parceria entre o curso de Letras Inglês da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), Campus de Apucarana, e o CineOrna.
A proposta nasce como um projeto de extensão universitária que busca aproximar universidade e sociedade por meio do cinema, entendido aqui não apenas como entretenimento, mas como linguagem crítica, estética e cultural capaz de dialogar diretamente com a literatura e outras formas de arte.
A partir dessa colaboração, estudantes do curso de Letras Inglês passam a integrar a produção de uma coluna quinzenal dedicada à análise teórico-crítica de obras cinematográficas. O objetivo é explorar as múltiplas camadas do audiovisual contemporâneo, articulando conceitos dos estudos literários, da intermidialidade e dos estudos culturais.
Mais do que um espaço de crítica, este projeto se posiciona como um laboratório de formação: um lugar onde o olhar do estudante se expande, se tensiona e se constrói em diálogo com diferentes perspectivas — acadêmicas e sensíveis.
A iniciativa também está vinculada ao projeto de pesquisa “Inflexões expressionistas no gótico de William Faulkner (1897–1962)”, reforçando a intersecção entre literatura e cinema como eixo central desta proposta.
A seguir, apresentamos os integrantes que darão vida a essa coluna, vozes diversas, olhares em formação e, acima de tudo, apaixonados por histórias.

Integrantes
ANA JULIA FERREIRA DO NASCIMENTO

Quem sou eu? Me chamo Ana Julia Ferreira do Nascimento, sou estudante do 2.º ano de Letras Inglês na Unespar. Demonstro grande interesse pelo ensino da língua inglesa, buscando conectá-lo com a cultura popular. Na vida, sou apaixonada por muitas coisas, mas dedico uma parte especial do meu coração à música e às obras de cunho psicológico. Tenho interesse por temas que envolvem o “eu”, o subconsciente, o conceito de moral, identidade… Anyway, aprecio essas temáticas em filmes, livros, músicas, games — o importante é refletir. Mas, como dito anteriormente, sou fã de um pouquinho de tudo!
Filme marcante: Um filme inesquecível para mim é “O Poço“. A obra apresenta uma prisão vertical, na qual uma plataforma flutuante repleta de alimentos desce de andar em andar (penso que isso, por si só, já seja simbólico). O ponto importante é que, na plataforma, há uma comida específica de acordo com a preferência de cada um na prisão, ou seja, o suficiente para que todos possam se alimentar. Mas, quem está no topo, sempre come mais do que o necessário para se saciar; e quanto àqueles nos últimos andares… muitas vezes morrem ou precisam a recorrer a situações extremas, como canibalismo. Outro elemento interessante é que, a cada mês, os personagens mudam de andar aleatoriamente (ou seja, quem há pouco estava morrendo de fome nos últimos andares, agora pode estar farto de comida em um dos primeiros). Vejo que isso vai além do problema estrutural, mas alcança um dilema ético também, já que aqui diz mais respeito aos valores de cada um… às vezes, “o sonho do oprimido é ser o opressor”. Falando da questão cinematográfica, creio que esse filme não peca em nada. Lembro-me de sentir uma angústia e aflição do início ao fim com o ambiente fechado, a falta de iluminação, a atuação cheia de horror dos personagens… com certeza, uma crítica social excelente.
DIOGO SILVA RAMOS

Quem sou eu? Possuo um interesse particular pelo modernismo cinematográfico tanto o American New Wave quanto pelo Cinema Novo, seu equivalente brasileiro. Espero que essas discussões e trocas de experiências me ajudem a expandir o que já tem sido meu foco de análise: a genealogia do Cinema Novo dentro do contexto das Novas Vagas mundiais, entre outras questões que o cinema apresenta por meio do seu desmedido potencial não apenas estético, mas também crítico.
Filme marcante: Embora eu me posicione como “esteticista”, defendendo a arte pela arte, isto é, assim como Oscar Wilde, entendendo que a arte pode dialogar com a realidade sem ter nenhum compromisso com a mesma, é inegável a influência e emergência crítica de determinadas obras que deixam, de certo modo, a estética em segundo plano para tomar uma posição política e social. Como, por exemplo, o filme “Anjos do Sol“, narrativa que acompanha a vida de Maria, uma menina de 12 anos vendida e submetida à prostituição involuntária. A obra é visceral, chocante e direta, pois seu enredo não se comporta como uma ficção. A proposta da direção se mantém quase documental, respeitando sua base em pesquisas sociais e divulgações de órgãos públicos a respeito da exploração sexual infantil, infelizmente tão presente no Brasil. Essas escolhas narrativas tornaram o filme de Rudi Lagemann profundamente marcante, tanto pelos finais nada otimistas, mas realistas de seus personagens, quanto pela fotografia que incessantemente procura beleza em um ambiente degradado e hostil.
FERNANDA ALINE DOS SANTOS DE AMORIM

Quem sou eu? Olá, me chamo Fernanda, sou estudante do 1.º ano de Letras – Inglês da Unespar. Gosto de trocar ideias e conhecer diferentes pontos de vista. No meu tempo livre, costumo ler, jogar, assistir a filmes e séries, ou cozinhar. Quero aprender mais e vivenciar melhor a relação com o cinema. Espero aprofundar meu olhar crítico e interpretar melhor ao longo do tempo.
Filme marcante: Um filme a que eu assistia muito quando era criança era “A Revolução dos Bichos“, baseado no livro Animal Farm, de George Orwell. Na época eu não entendia muito a mensagem, mas, depois de conhecer o livro, percebi que a história fala sobre poder e desigualdade, e sobre como o poder pode mudar as pessoas e criar novas desigualdades. Isso faz refletir sobre a forma como a sociedade se organiza.
GABRIELA SARAN

Quem sou eu? Olá, meu nome é Gabriela! Me interesso por história, arte, livros de fantasia e tarologia. Amo filmes stop motion e sou louca por dark fantasy.
Filme marcante: “Cisne Negro“. Esse filme me marcou durante minha adolescência por trazer reflexões a respeito da busca incessante pela perfeição. Essa obra me faz pensar sobre o que, de fato, nos torna humanos e se deveríamos estar dispostos a sacrificar isso para conseguir o que queremos.
HEITOR NOVAIS SANTANA

Quem sou eu? Meu nome é Heitor, tenho grande interesse pela área das artes. Meus hobbies incluem ler, assistir, jogar e música. Sou rapper de início de carreira com um grupo pequeno do meu bairro. Espero poder continuar no ambiente acadêmico até me tornar doutor e poder lecionar aulas de literatura. Sempre quero ler mais e escrever mais.
Filme marcante: “Te Peguei!” (2018) — Que história original! Engraçado pensar que é uma história real mesmo que romantizada, um filme que realmente consegue ser divertido; porém, me incomodou o fato de ter pouca diversidade e o único personagem negro ser o pior personagem do filme! Seus momentos incoerentes podem se tornar discretos por meio da comédia, o que torna os momentos em que a seriedade vem à tona um impacto ao espectador. Um bom filme para se divertir em algum encontro casual com os amigos.
KEREN LAPCHENSKI PEREIRA

Quem sou eu? Meu nome é Keren e tenho 18 anos. Estou no primeiro ano de Letras Inglês, tenho bastante interesse em línguas, falo um pouco de japonês, gosto da cultura japonesa. Meus hobbies são ouvir música, ver filmes e séries. Estou com bastante expectativa no projeto, pois é algo de que nunca participei. Espero que haja vários aprendizados!
Filme marcante: No filme “O Menino Que Descobriu o Vento“, que se passa no Sudeste Africano, podemos ver que as dificuldades pelas quais o povo passa na região, como a fome e a pobreza extrema. É a exposição de um espaço onde dificilmente chegava água ou luz. É um filme que retrata o contexto social e político do local.
LAURA BEATRIZ MARQUES

Quem sou eu? Oi! Eu sou Laura Marques, sou apaixonada por arte em todas as suas formas, mas especialmente pelo desenho, que está presente em todos os momentos da minha vida e é onde encontro minha forma mais autêntica de expressão. Sou uma pessoa muito comunicativa, adoro conversar e trocar ideias, e acredito que as melhores histórias surgem das conversas menos esperadas. Amo cinema e música em geral, mas tenho um carinho especial por romance e rock. Estou sempre em busca de evoluir criativamente e transformar inspirações em algo único, levando um pouco do meu olhar artístico para tudo o que faço e acredito que vou me divertir e evoluir muito com esse novo projeto!
Filme marcante: Um filme que me marcou foi “O Jogo da Imitação“, pois foi o motivo de dias de frustração. Esse filme conta a história de um matemático (Alan Turing) que, durante a Segunda Guerra Mundial, desenvolveu a base da programação para decodificar mensagens alemãs, ajudando a prever ataques à sua nação. Apesar de ser uma mente brilhante, reconhecido como pai da programação, e de ter salvo inúmeras pessoas, foi extremamente injustiçado e maltratado por ser um homem homossexual, tendo sido submetido à castração química e silenciado pelo governo ao qual servia.
LAURYELLEN ALVES DE OLIVEIRA

Quem sou eu? Me chamo Lauryellen, sou apaixonada por literatura, cinema e artes no geral, pois acredito que a arte expressa o que temos de mais humano e nos une por meio de sentimentos que palavras nem sempre alcançam. Vejo na arte a ponte que nos une pelo sentir. Amo ler, ouvir música e reinventar sentimentos por meio da escrita. Espero que esse projeto seja de muita troca, sensibilidade e autoconhecimento!
Filme marcante: O filme “Sociedade dos Poetas Mortos“, de 1989, tece críticas à imposição de padrões sociais que se diferem da autenticidade individual, visto principalmente na contradição dos valores tradicionais e conservadores de ensino. O lema dos poetas mortos é caracterizado por carpe diem, uma frase em latim que significa “aproveite o dia”. As cores, imagens, músicas e diálogos do filme são marcantes. O destaque do filme está em sua reflexão sobre a liberdade e a visão de como a poesia é essencial para a vida humana.
LEONARDO DA SILVA FELIPETTO

Quem sou eu? Me chamo Leonardo e sou estudante de Letras – Inglês, na Unespar (Campus de Apucarana). Sempre gostei de assistir a filmes em meu tempo livre, principalmente aos clássicos, e refletir sobre o que eles querem transmitir. Também tenho muito apreço por séries e poder entender suas histórias e possíveis significados. Espero poder desenvolver um olhar mais crítico sobre as obras cinematográficas e ter a possibilidade de escrever sobre.
Filme marcante: Um filme que me marcou foi “Onde os Fracos Não Têm Vez“. O filme me chamou atenção porque mostra um mundo onde a violência e o acaso têm um papel muito importante e onde nem sempre o “bem” vence no final. Além disso, o filme faz uma reflexão sobre violência, moralidade e destino. Isso faz com que a história pareça mais realista e provoca uma reflexão sobre o mundo.
LILIAN LEVINSKI LOPES

Quem sou eu? Who am I? Sempre acho essa pergunta um pouco difícil, mas vamos lá! Meu nome é Lilian Levinski Lopes. Sim, meu nome completo é constituído por três L. A maioria das pessoas acha isso legal e um tanto curioso, mas, para mim, é algo meio chato. Até hoje não consigo pensar em uma assinatura usando minhas iniciais porque são todas iguais. Uma das coisas mais importantes que há para se saber sobre mim é que, na maioria das vezes, sou quieta, tímida e introvertida; porém, AMO conversar sobre arte, literatura, lugares, história, plantas, arquitetura antiga, cafezinhos superfaturados e filmes de fantasia. Minha animação favorita é “A Princesa e o Sapo“. Foi a partir dessa animação que criei uma paixão por jazz e um sonho de ir para Nova Orleans. Entre filmes de fantasia, acredito que meu/meus favoritos tenham o mesmo diretor, Tim Burton. Ele é simplesmente incrível em tudo que faz! I love his creativity!
Acho que já falei de um dos pontos fortes que compõem minha personalidade: gosto da beleza do clássico, mas também sou apaixonada pelo gótico. Amo ouvir jazz, música clássica, pop com certeza é meu favorito (um ponto forte da minha personalidade é que tudo que eu faça sempre estarei escutando alguma música!).
Bom, acredito que, com essas informações, talvez já seja possível identificar que sou uma pessoa que vive dentro da própria imaginação. Tudo isso que indiquei tem algo muito especial que une uma informação a outra e que, sem isso, nada disso faria muito sentido, que é… o inglês, a língua inglesa — é para mim uma âncora que me deixa navegar pela minha imaginação, me põe de volta no centro para me lembrar de quem eu realmente sou. Por isso, aprender cada dia mais sobre o idioma, cultura, história e tudo que o envolve é incrível, é a melhor parte de mim. Acredito que, se eu falar de expectativas futuras, com certeza o inglês estará no top 1, junto com todos os hobbies, personalidades e tudo que precise pra saber sobre mim. Bem-vindos ao meu universo!
Filme marcante: Meu filme de infância favorito que me marcou muito e até hoje é um dos meus favoritos é “A Princesa e o Sapo“, produção da Disney. O filme representa para mim o esforço individual, a conquista pessoal, autoconfiança, também a crença e fé de que seus sonhos irão se realizar, basta colocar todo o seu esforço e aquilo em que sua crença está depositada cuidará do restante. Acredito que esse filme seja uma grande representatividade da nossa vida, na qual temos desafios, problemas e dificuldades para enfrentar e em que muitas vezes parece que não vamos conseguir superá-los, mas não importa onde sua fé esteja desde que você acredite e faça o seu melhor por aquilo que está buscando. Algo bom sempre virá após as tempestades da vida. Esse filme me acompanha desde criança e é um exemplo para mim até nos dias de hoje.
LUCAS DOS SANTOS ALMEIDA

Quem sou eu? Olá, me chamo Lucas. Decidi entrar para este projeto porque sempre tive interesse em filmes e quero conhecer mais sobre eles com um olhar mais crítico. Gosto tanto de filmes de animações quanto de live actions. Até prefiro um pouco mais as animações e meus filmes favoritos são “Hereditário“, “Duna“, “Your Name“, “A Voz do Silêncio: Koe no Katachi” e “O Senhor dos Anéis“.
Filme marcante: O filme “Duna” pega muitos aspectos e problemas da nossa sociedade atual e os transpõe para um universo futurista. São pontos marcantes: a lealdade extrema e inquestionável da casa Atreides (que causa sua queda), a ganância sem fim da casa Harkonnen (sempre em busca de mais poder o que gera sua aniquilação) e a casa Corrino (que, em sua incessante busca por meios de se manter no poder, acaba causando a sua derrocada e a perda de tudo). Fora as casas, temos os povos livres (Fremen) que são povos originários de duna que são explorados e, de certa maneira, escravizados para que as casas consigam extrair e transportar a matéria-prima que retiram do planeta.
MARIA EDUARDA MOTA ARAÚJO

Quem sou eu? Me chamo Duda, tenho 17 anos e sou de Mauá da Serra (PR). Sou formada no Magistério e confesso que isso me atraiu para interesses mais voltados para a área da educação. No meu tempo livre escrevo poemas que um dia penso em publicar. Quem sabe, né? Gosto de cinema, de tudo que envolve boas histórias, especialmente aquelas que nos fazem pensar ou enxergar algo de um jeito diferente. Portanto, espero poder compartilhar minhas impressões, descobertas e emoções, criando conexões com quem também acredita que o cinema é mais do que entretenimento: é experiência, reflexão e, às vezes, até um refúgio.
Filme marcante: O filme “Cidade de Deus“, dirigido por Fernando Meirelles, marcou o Brasil e o cinema internacional. Ele vai além de um retrato de violência, pois mostra a triste realidade da vida nas favelas do Rio de Janeiro, expondo as lutas diárias devido à desigualdade social, à marginalização e à busca por sobrevivência em um ambiente de caos e desrespeito. O filme nos permite ter diferentes visões de uma mesma situação, mostrando que a exclusão faz com que o jovem se renda ao tráfico de drogas, mas também humaniza os personagens e nos faz enxergar além da violência. É uma imersão intensa em uma realidade pouco mostrada com tanta empatia, por geralmente ser ignorada e incompreendida pela sociedade. Trata-se de um lembrete para olharmos para o próximo além dos estereótipos; afinal, todos buscam por uma vida melhor, por justiça frente aos erros daqueles que não têm um olhar compreensivo.
MARIA EDUARDA RIBEIRO FERREIRA

Quem sou eu? Oi oi! Eu sou a Maria Eduarda, mas pode me chamar de Duda. Gosto de desenhar, de cantar, do Snoopy (pois ele é incrível) e de cozinhar doces (quanto mais diferente e gostoso, mais me interessa!). Também adoro assistir filmes e séries, conhecer histórias diferentes, mas confesso que me amarro em um clichê! Estou sempre aberta a aprender coisas novas e trocar ideias, então espero poder compartilhar um pouco do que gosto por aqui. Beijos beijos!
Filme marcante: Um filme que me marcou profundamente foi “O Show de Truman: O Show da Vida“, dirigido por Peter Weir. A história de um homem que vive sem saber que sua vida é transmitida como um programa de televisão me fez refletir sobre mídia e controle. O que mais me impacta é perceber como tudo ao redor de Truman é planejado para manter uma versão específica da realidade e como ele tenta descobrir a verdade ao desconfiar de certas ações e comportamentos das pessoas à sua volta. Isso me faz questionar até que ponto aquilo que consumimos também é construído e direcionado. A sensação constante de vigilância no filme reforça essa ideia. Para mim, ele mostrou que o cinema pode entreter, mas também incomodar e provocar reflexões sobre a sociedade em que vivemos.
MARIA ELOÍSE DURIGÃO
Quem sou eu? Pensa em um filme do Christopher Nolan, em que a narrativa é confusa, mas a trilha sonora é incrível — essa sou eu. Meus gostos incluem literatura (preferencialmente, literatura russa e de fantasia), filmes e séries com bons mistérios e plot twists. Adoro desafios e amo viajar.
Filme marcante: “O Rei Leão“. Não produzi uma reflexão muito crítica quando assisti a ele porque era muito pequena, mas a ideia de que podemos aprender com nossos erros, fazer as pazes com o passado e antepassados e seguir em frente, consciente de si mesmo e não fugindo de si mesmo, foi impactante. Assim como quando descobri que foi inspirado em uma obra de Shakespeare, o filme me fez repensar muitos assuntos e atitudes.
ROGÉRIO SÁBER

Quem sou eu? Sou aquele professor universitário que provavelmente cita Faulkner antes mesmo do café — e tento fazer soar totalmente natural. Pesquisador e apaixonado por histórias, transito com facilidade entre a sala de aula e universos mais sombrios, nos quais o gótico sulista americano parece quase um lugar de conforto. Aprecio Kate Bush com a mesma intensidade com que amo uma boa análise literária (às vezes, as duas coisas ao mesmo tempo), e tenho um carinho especial por cinema clássico — daqueles cheios de atmosfera, diálogos afiados e um certo charme vintage que nunca envelhece. No meio disso tudo, o terror reina: é meu gênero favorito, com um lugar cativo no coração para a franquia “Pânico“, de Wes Craven. Também aprecio adaptações literárias bem feitas porque nada melhor do que ver boas histórias ganhando novas camadas na tela. Um misto de professor, cinéfilo e contador de histórias com alma meio assombrada — sempre pronto pra perguntar, com um sorrisinho: “qual é o seu filme de terror favorito?”
SARA VIEIRA SIQUEIRA

Quem sou eu? Sou alguém que gosta de boas conversas, bons filmes e bons livros. Amo sair para dançar, comer e beber coisas não tão saudáveis. Me sinto no meu elemento quando faço meus amigos rirem. Definitivamente, um dos meus sons favoritos (gargalhadas de pessoas que amo).
Filme marcante: Assisti a “Ainda Estou Aqui” de Walter Salles, no cineminha da cidade. Nunca chorei tanto sobre algo que não me cabia. A época não era minha, mas fiquei emocionada principalmente com a realidade daqueles personagens: a vida dourada de sol, música boa e almoços fartos com amigos, mesmo em tempos tão sombrios. É claro que depois, o “bicho pega” para eles também, e por meio de takes calmos e de um close-up fenomenal da Fernanda Torres na cena da sorveteria — naquele lugar onde eles sempre foram felizes, olhando para outra família (completa) com os olhos marejados, a ficha cai. A dela e a da audiência. Ele não vai voltar. Os tempos mudaram. Vamos seguir.
VICTORIA KAROLINE VIANA PEREIRA
Quem sou eu? Sou estudante do 2.° ano de Letras Inglês e apaixonada por histórias desde cedo. Tenho interesse por literatura, cinema, música e moda, formas de arte que inspiram meu olhar sobre o mundo. Nos meus momentos livres gosto de ler, assistir a filmes, ouvir música e explorar novas culturas.
Filme marcante: O filme japonês “Monster“, de 2023, foi um dos que mais me tocou nos últimos anos. Ele conta a história a partir de três pontos de vista diferentes, mostrando como a mesma situação pode parecer completamente diferente dependendo de quem está olhando. Primeiramente, vemos a perspectiva de Saori, uma mãe viúva que trabalha muito e cria o filho sozinha, quando ela percebe que Minato está agindo de forma estranha e passa a acreditar que ele está sendo maltratado pelo professor. Depois o filme mostra o ponto de vista do professor, que acredita que Minato, por uma série de situações, está praticando bullying contra um colega de sala, Yori, mas só quando vemos a história pelo olhar das crianças que tudo muda. Depois de uma certa resistência, Minato acaba se aproximando de Yori e os dois constroem uma amizade muito profunda. Eles encontram um lugar escondido onde podem brincar, conversar e ser eles mesmos, longe do olhar dos adultos. Ali vemos nascer um sentimento delicado entre os dois meninos, um amor inocente da infância. O filme é muito bonito e, ao mesmo tempo, doloroso porque nos faz pensar em como o mundo pode ser cruel com quem é diferente do que a sociedade impõe como “o correto”. Yori sofre violência do próprio pai por não se encaixar no que ele considera normal e isso mostra como a homofobia e os preconceitos podem machucar profundamente uma criança. Além disso, o filme também revela falhas estruturais no sistema educacional porque professores e gestores parecem mais preocupados em proteger a reputação da escola do que em compreender verdadeiramente as crianças. Eu recomendo esse filme pra todo mundo porque é uma obra que toca profundamente quem a ela assiste e as reflexões que temos enquanto estamos assistindo permanecem com a gente por muito tempo.
VIVIAN BERNARDO DE OLIVEIRA

Quem sou eu? Me chamo Vivian Bernardo de Oliveira e sempre gostei muito de me maquiar. A maquiagem se tornou uma das coisas que eu mais admiro e amo fazer. Além de ser essencial nos filmes e séries, ela faz parte especialmente quando se trata de efeitos especiais. Minhas expectativas para esse projeto: que eu possa usufruir do mundo cinematográfico e, quem sabe?, colocar minhas técnicas de maquiagem em jogo.
Filme marcante: O filme “Grandes Olhos“, dirigido por Tim Burton, traz a história de uma mulher chamada Margaret Keane, que era uma famosa pintora que fazia quadros e que acaba sofrendo uma fraude de seu próprio marido. O filme nos mostra uma visão sobre o feminismo para aquela época e a luta que Margaret enfrenta com a sociedade. Na cena final, Margaret e Walter enfrentam um julgamento em que a juíza diz que ambos devem pintar um retrato. Logo Margaret consegue vencer e Walter vai preso. O filme também representa bem a época dos anos 50/60, pois Margaret fica submissa a um casamento que não lhe faz bem e enfrenta diversas situações até enfim ter sua liberdade e viver em paz no Havaí com sua filha.
A coluna Intersecções: entre letras e imagens terá publicações quinzenais aqui no CineOrna. Ao longo dos próximos textos, você vai acompanhar análises que atravessam cinema, literatura e cultura, sempre com novos olhares e novas perguntas.
Porque, no fim, é disso que se trata: não apenas assistir a um filme, mas aprender a lê-lo.

