Se ainda existia alguma dúvida de que o público brasileiro gosta de ir ao cinema, os números da atual Semana do Cinema ajudam a responder.

Cerca de 460 mil pessoas foram às salas de exibição de todo o país somente na quinta-feira (10), primeiro dia da nona edição da campanha. O resultado representa a maior abertura da história da Semana do Cinema e supera em 35% o recorde anterior, registrado em fevereiro de 2025.

Até quarta-feira, 16 de setembro, cinemas de todo o Brasil participam de mais uma edição da iniciativa, oferecendo ingressos por R$ 10 para sessões tradicionais iniciadas antes das 17h e R$ 12 para os demais horários. A ação também acontece durante o fim de semana, enquanto pré-estreias, shows e determinadas salas especiais ficam de fora das condições gerais da campanha.

Mas o que hoje parece uma data já incorporada ao calendário dos fãs de cinema começou há apenas quatro anos.

Uma campanha criada no pós-pandemia

A Semana do Cinema surgiu em 2022, idealizada pela Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas (FENEEC), em um momento particularmente delicado para o mercado de exibição.

Depois dos longos períodos de fechamento e das restrições provocadas pela pandemia de COVID-19, as salas precisavam reconstruir um hábito que durante décadas pareceu natural: sair de casa para assistir a um filme coletivamente diante de uma tela grande.

Inspirada também por iniciativas realizadas em outros mercados, a campanha brasileira nasceu justamente com a proposta de estimular esse retorno por meio de ingressos a preços promocionais.

A primeira Semana do Cinema aconteceu entre os dias 15 e 21 de setembro de 2022 e mostrou imediatamente o potencial da ideia. Mais de 3,3 milhões de espectadores participaram daquela edição. Segundo dados da Comscore divulgados na época, houve crescimento de 296% no público e de 127% na renda em relação ao período de comparação.

O que poderia ter sido apenas uma campanha pontual de recuperação do mercado acabou se transformando em uma ação recorrente.

Desde então, a Semana do Cinema passou a acontecer duas vezes ao ano e ganhou adesão das grandes redes e também de exibidores independentes. A iniciativa é realizada pela FENEEC e conta atualmente com apoio da ABRAPLEX, Ingresso.com e Grupo Consciência.

Até fevereiro de 2026, as oito primeiras edições já haviam vendido mais de 26,7 milhões de ingressos.

Uma promoção que virou evento

Os números ajudam a explicar por que a Semana do Cinema deixou de ser apenas uma promoção de ingressos.

A edição realizada em fevereiro de 2025 estabeleceu um dos principais resultados da campanha, reunindo aproximadamente 4,3 milhões de espectadores durante seus sete dias. Em fevereiro deste ano, foram quase 3,9 milhões de ingressos vendidos.

Agora, a nona edição começou quebrando outro recorde.

Os aproximadamente 460 mil espectadores registrados apenas no primeiro dia representam a melhor abertura desde a criação da campanha. É um resultado ainda mais significativo quando lembramos que aconteceu em uma quinta-feira, tradicionalmente o dia de renovação da programação dos cinemas brasileiros.

E talvez exista uma discussão importante escondida atrás desses números.

O brasileiro deixou de gostar de ir ao cinema?

Nos últimos anos, o mercado audiovisual passou por transformações profundas. O crescimento dos serviços de streaming, a redução das janelas entre cinema e lançamento digital, as mudanças de comportamento provocadas pela pandemia e o aumento dos custos relacionados ao lazer transformaram a relação do público com as salas.

Nesse cenário, é comum ouvir que as pessoas simplesmente deixaram de querer ir ao cinema. O desempenho da Semana do Cinema sugere uma leitura um pouco mais complexa.

Quando existe uma combinação entre preço acessível, boa programação e comunicação capaz de transformar a ida ao cinema em um acontecimento, milhões de brasileiros continuam demonstrando interesse pela experiência coletiva da sala escura.

Isso não significa, evidentemente, que seja possível manter ingressos a R$ 10 durante todo o ano. Uma promoção nacional envolve acordos e estratégias específicas entre diferentes elos da cadeia cinematográfica e não pode ser usada isoladamente para determinar qual deveria ser o preço regular de uma sessão.

Mas os resultados ajudam a colocar o preço no centro da discussão sobre acesso ao cinema no Brasil.

Afinal, entre querer assistir a um filme e efetivamente comprar o ingresso existe uma decisão financeira que se torna ainda maior quando pensamos em famílias, casais ou grupos de amigos. Ao ingresso também podem ser somados transporte, estacionamento, alimentação e outros custos relacionados ao passeio. Durante a Semana do Cinema, parte dessa barreira diminui.

Muito além da bilheteria

Existe ainda outro aspecto importante da iniciativa: levar mais pessoas às salas beneficia uma cadeia que vai muito além da venda de ingressos.

O setor de exibição está presente em centenas de complexos espalhados por mais de 450 municípios brasileiros e movimenta milhares de empregos diretos e indiretos. Cinemas cheios também significam maior circulação em shopping centers e centros comerciais, consumo nas bombonieres e, principalmente, continuidade de uma estrutura fundamental para que os filmes encontrem público.

É também por isso que uma campanha como a Semana do Cinema ganha importância cultural.

Ir ao cinema não é somente assistir ao conteúdo de um filme. Existe uma experiência construída pela sala, pela tela, pelo som e pela presença de outras pessoas compartilhando aquela história ao mesmo tempo.

Em uma época em que praticamente qualquer conteúdo pode chegar até nós dentro de casa, criar motivos para que o público continue escolhendo sair dela talvez seja um dos grandes desafios da exibição cinematográfica.

A nona Semana do Cinema

A atual edição acontece entre os dias 10 e 16 de setembro e conta com a adesão das grandes redes de cinema do país, além de outros exibidores participantes.

Nas condições gerais da campanha, sessões tradicionais iniciadas antes das 17h têm ingressos por R$ 10. Para os demais horários, o valor é de R$ 12. Pré-estreias, shows e salas especiais não fazem parte da regra geral, e algumas redes possuem condições próprias para determinados formatos.

Também existem valores promocionais em combos de pipoca e refrigerante, que variam conforme a exibidora.

Entre os títulos disponíveis durante a campanha estão filmes que já vinham movimentando as bilheterias e os lançamentos que chegaram às salas justamente nesta semana, ampliando as opções para o público.

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Mais do que aproveitar alguns dias de ingressos baratos, porém, talvez valha observar o fenômeno que a Semana do Cinema se tornou.

Uma iniciativa criada em 2022 para ajudar a reconectar espectadores e salas atravessou nove edições, levou dezenas de milhões de brasileiros aos cinemas e passou a ser aguardada pelo público. Quatro anos depois, os cinemas continuam enfrentando desafios e disputando a atenção do espectador com inúmeras outras formas de entretenimento.

Mas quase meio milhão de pessoas entrando em uma sala em um único dia deixam uma mensagem bastante clara: o público não deixou de gostar de cinema.

Talvez a discussão seja também sobre o quanto conseguimos tornar essa experiência acessível para que ele continue voltando.

Serviço — Semana do Cinema 2026

De 10 a 16 de setembro de 2026, em cinemas participantes de todo o Brasil.
Ingressos para sessões tradicionais por R$ 10 nas sessões iniciadas antes das 17h e R$ 12 nos demais horários. As condições podem variar conforme a rede, o complexo e o tipo de sala. Pré-estreias, shows e salas especiais estão fora das condições gerais da campanha.